Stoneria: O Brasil é um país televisionado que perdeu toda sua capacidade crítica


Um país em crise política, com falta de empregos, falta de segurança e etc... Mas quando falado em carnaval ou futebol, o brasileiro tem a mania de esquecer os ditos problemas reais e de se apegarem pelo que realmente não importa.

O que seria mais importante saber o quanto o poder político está destruindo o país e nossos direitos ou se preocupar com a seleção brasileira que não vai bem nas eliminatórias para Copa do Mundo?

Ou seria pedir demais ter o mínimo de consciência política e econômica para saber o que acontece em seu país ou se preocupar com sua escola de samba do coração que não ganhou o carnaval?

Pois bem, parece mentira, mas no Brasil isso acontece e muito, em uma abordagem direta e sem papas na língua, o vocalista do STONERIA Zen fala sobre esses tais assuntos e mais alguns percalços, que querendo ou não acaba tendo ligação com o cenário musical.

Confira:

Em um contexto geral parece que seguimos a regra de brasileiro ter a memória curta. Não faz muito tempo estavam todos reclamando do país, da situação econômica e etc... Mas basta o futebol entrar em cena e a discussão acaba sendo o quanto mal vai à seleção brasileira nas eliminatórias para Copa do Mundo. Como vocês enxergam este problema crônico?

Pão e circo para o povo, isto é um direcionamento ou meta antiga seguida por aqueles que estão no poder. Nada muda. Estamos falando de um país altamente televisionado que perde totalmente sua capacidade crítica.

Como somos considerados o país do carnaval e futebol, é normal o povo em si deixar certos problemas sérios e se agarrarem em problemas sem sentido como por exemplo: o time de futebol do coração que vai mal ou a querida escola de samba que não ganhou o carnaval. Na visão de vocês o quanto isso tem ligação com o underground?

Pelo que percebemos quem frequenta o underground não tem ligação direta e forte com o carnaval ou futebol, em geral isso acontece com a massa mesmo. Talvez por serem poucas pessoas que dão atenção para isso é que a cena underground é pequena, pois são poucos que frequentam e logo são poucos que dão atenção para este tipo de acontecimentos em nosso país.

Em termos de público, não é de hoje que o underground anda de mal a pior. Mas algo que sempre chama atenção e que já se tornou um clichê, é de bandas gringas que veem ao Brasil com ingressos custando 300, 500 reais e tendo estádio cheio. Em um país em crise é difícil de acreditar que isso poderia acontecer, e no Brasil acontece. Teria alguma explicação lógica do porque essa galera não consegue pagar 5, 10 reais para ver 3 ou 4 bandas locais tocar?

Mídia, propaganda, divulgação para as massas...conheço amigos que gostam de funk e foram no show dos Stones. Nossa crise é política não econômica. A galera não paga para shows no underground pois a divulgação é fraca, muitas vezes realizada às pressas, sem planejamento e tem muita banda ruim ou meia boca.

Acredito que não temos um culpado, mas e a geração atual que não demonstra interesse no que é seu?

Não tivemos a grande depressão, grande guerra, ditadura militar... não temos o que questionar. Somos filhos perdidos de uma geração que está à venda para qualquer negócio.

Aproveite e confira o primeiro clipe do STONERIA:



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