Stoneria: Hoje em dia as pessoas estão cada vez menos interessadas em rádios, CD’s e MP3 players


Nem só de polemicas vive uma banda, mas sim de materiais relevantes que despertem o interesse do público. E qualidade e relevância é o que não falta nos paulistanos do STONERIA, que lançaram em 2014 seu Debut autointitulado que traz uma gama sonora que vai do Punk ao Stoner, mostrando muito feeling.

Para falar do Debut e suas curiosidades, a Heavy And Hell Press conversou com o guitarrista Pedro Rocha, onde o mesmo nos fala sobre gravar o álbum em um dos estúdios mais famosos do Brasil, a questão de disponibilizar o trabalho na internet e muito mais.

Confira:

Em 2014 vocês lançaram seu Debut autointitulado. Que foi gravado em um dos estúdios mais famosos do Brasil, o El Rocha. Como se deu a escolha do estúdio e como foi a experiência de trabalhar com o produtor Fernando Sanches (ex-CPM22)?

Quando decidimos gravar o disco, começamos a procurar estúdios que gravam bandas com a mesma proposta que a nossa, e que coubesse no nosso orçamento. Até então, faríamos uma parceria com nosso amigo Fábio Gois, que viria dos EUA para assumir a produção. Ele sugeriu estúdios que já conhecia, mas houve um desencontro e a nossa parceira acabou não acontecendo. Dos estúdios que entramos em contato o El Rocha foi o mais interessante, dispunha de um espaço e equipamentos que dificilmente encontramos por aí. Trabalhar com o Fernando Sanches foi ótimo, ele tem uma bagagem muito grande, e procurou, em todo momento, otimizar aquilo que a gente buscava. Desde os primeiros dias fazendo a montagem dos equipamentos, escolhendo os amplificadores foi um processo tranquilo, pois já chegamos com boa parte das músicas "no dedo". Gravamos todas as bases em 3 dias e deixamos os outros 3 dias restantes para solos, vozes e melodias adicionais. Nesse ponto, a experiência do Fernando contou muito, pois nos ajudou a limpar todos os solos sem que a gente perdesse muito tempo. Outro aspecto importante para nós foi o fato de ele evitar ao máximo usar recursos e processos digitais durante a gravação. Não é raro encontrar estúdios que maquiam demais erros e o "copia e cola" nas bases e solos, e a insistência em nos fazer gravar diversas vezes cada música, solo, melodia de voz, enfim, até chegar no ponto certo, deixou o nosso som mais natural e orgânico. O avanço da tecnologia na música é sim muito benéfica, mas tem que ter cuidado pra não esconder a essência da música. A convivência também foi ótima, aprendemos muito além do processo de gravação, o pessoal nos contou diversas histórias sobre o meio e o mercado musical. Vimos que a dificuldade ainda é grande mesmo para quem já está atuando há algum tempo, e que nos faz avaliar constantemente no caminho que estamos seguindo.

Apesar do nome Stoneria, o que temos no álbum de estreia é um som calcado no Rock N’ Roll com certas influencias de Metal e Stoner. Como foi o processo de composição do mesmo para que os arranjos soassem tão homogêneos?

Apesar de todos na banda terem uma veia muito forte no Rock, cada um tem sua preferência e também uma vivência musical diferente, e isso reflete no disco, onde temos músicas com pegadas distintas. O nome gera uma certa confusão, pois muitos acabam tentando nos rotular como Stoner, mas no momento que começam a ouvir o disco, já ficam perdidos, pois uma música tem uma pegada mais Punk, outra mais Rock N’ Roll, e outra que flerta um pouco com o Stoner. O ponto positivo para nós, e que isto tem sido visto como algo bom, é um disco que não te cansa. Cada música foi escrita em momentos diferentes, por pessoas diferentes, e no momento de juntar tudo precisávamos achar uma maneira de criar essa homogeneidade, sem perder a característica de cada música. No momento que decidimos gravar a banda já estava com uma formação mais sólida, e todos os arranjos foram feitos juntos durante os ensaios, e como tínhamos shows agendados usamos esses eventos como teste para ver como soava tudo, e fizemos diversas alterações até chegar no ponto. Mesmo hoje, depois de lançado o disco ainda buscamos maneiras de deixar nossas músicas mais interessantes para nós e para o público, sempre buscamos algo novo, e isso dá ânimo para continuar o nosso trabalho.


“Stoneria” foi lançado primeiro virtualmente para depois ganhar sua versão física. Devido ao mundo estar dominado pela tecnologia nada mais normal que lançar o trabalho virtualmente, mas o que levou vocês a lançarem o mesmo em formato físico?

Nós sempre tivemos em mente que é importante ter o material físico na mão, e por um bom tempo pesquisamos alternativas para fazer a prensagem, pois não tínhamos apoio de ninguém para fazer isso pela gente. Porém, não podíamos deixar o disco guardado, enferrujando na gaveta, e lançamos primeiro no Soundcloud, depois no Youtube e no Itunes. A última plataforma que lançamos foi no Soptify, e tivemos uma repercussão positiva! Muitos artistas se lançam virtualmente, pois hoje, cada vez mais as pessoas estão largando rádio, CD’s, MP3 players, e fazendo tudo pelo celular, só entusiastas gostam mesmo de ter um CD na mão, e felizmente, nós somos uns deles! Mas ao mesmo tempo, não ter um disco físico no mercado limita as oportunidades da banda. As casas de show, produtores, selos de gravadora, empresários, todos eles só dão bola para a banda quando ela já tem um material físico na mão, e não basta ser uma "demo", tem que estar tudo muito bem feito, com registro e etc.

Um outro ponto que chama a atenção em “Stoneria” é a capa, que mesmo sendo simples ela vem enigmática e cheia de simbolismos. Conte-nos um pouco mais sobre a criação da mesma.

A criação da capa e o conceito do disco foram assuntos que geraram muita discussão e polêmica na banda. O fato de termos músicas com pegadas e temas diferentes, dificultou muito para acharmos um nome para o disco, e por conta disso, não tínhamos também como definir como seria a capa. Tentamos organizar a ordem das músicas para tentar criar algo linear, tanto na pegada quanto no tema das composições, e foi apenas possível fazer a primeira opção. Depois de semanas de discussão acabamos por abandonar a ideia de um tema ou conceito, e passamos a pensar num nome que representasse o que tínhamos em mãos, e duas músicas representavam bem a nossa cara – “Nada a Perder” e “Latino Americano”. Mas no final das contas, todos decidimos lançar o disco autointitulado. O tema da capa foi criação do nosso amigo Gabriel Cainê, que trouxe essa mistura de ideias, símbolos diferentes, e algo um pouco viajante, que casou perfeitamente com o nosso som.


Pós um ano do lançamento do álbum, o Stoneria gravou seu novo clipe para música “A Cela”. Qual a importância das divulgações audiovisuais na opinião de vocês e como foi o processo de escolha e produção do clipe?

O clipe é uma das maiores vitrines para qualquer artista, e em muitos casos, o clipe é lançado ainda antes do disco para promover o próprio lançamento. Havia um tempo que estávamos discutindo a gravação do nosso vídeo, e resolvemos primeiro fazer um levantamento de quais as músicas que o pessoal mais curtia. Analisamos quais as músicas com mais acessos no Soundcloud, e escolhemos pessoas próximas de nós, para nos falar quais as 3 músicas que mais gostaram. O passo seguinte foi entrar em contato com O Leo Ronqui, que já produziu outros clipes, e amigo nosso da Nuestro Odio, e apresentamos as 3 músicas mais escolhidas. Ele nos deu um prazo de uma semana para ouvir bem cada uma e traçar um roteiro. Na semana seguinte ele nos retornou, e apresentou uma ideia para “A Cela”, e na hora a gente abraçou e já marcamos as gravações. O resultado saiu dentro do esperado, mas tivemos uma aceitação acima das nossas expectativas. A gente buscou um clima mais intimista, e não houve qualquer tipo de preparação ou ensaio para as gravações, apenas falamos para as pessoas irem lá e interagir uma com a outra, e acabou dando certo! Foi um processo bem rápido, levou dois dias, duas horas de gravação por dia, e estamos muito contentes com o retorno que tivemos até agora.

Aproveite e confira o videoclipe de “A Cela”:



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